Ginecologia e Hormonioterapia

Menopausa

A Menopausa deve servir para lembrar às pacientes e os médicos que esta é uma época para educação. Com certeza a educação preventiva de cuidados à saúde é importante durante toda a vida, mas, na época de menopausa uma revisão das principais questões pode ser especialmente compensadora. Além das questões gerais relativas à saúde, o foco principal da atenção deve ser a doença cardiovascular e a osteoporose.

Ao contrário do declínio da idade da menarca (primeira menstruação), que ocorreu nas últimas décadas, a idade média da menopausa não mudou desde a Idade Antiga. Aliás, o único fator que comprovadamente pode antecipar a idade da menopausa é o tabagismo (antecipa a menopausa em 1,5 anos).

Em múltiplos estudos não foi encontrada relação com raça, estatura, número de filhos e idade da primeira menstruação. Em torno de 1 a 2% das mulheres terão menopausa precoce, isto é, ocorrida antes dos 40 anos.

Problemas comuns da menopausa

Um dos problemas mais comuns da menopausa são as ondas de calor -“ fogachos”. A fisiologia exata das ondas de calor não é bem conhecida. Duram de dois a 10 anos, sendo que a maioria não passa de cinco anos. O calor pode ser causado pela menopausa, porém outras doenças podem causá-la, incluindo problemas de tireóide, cânceres raros e transtornos psicossomáticos.

A menopausa causa alterações de pele, secura vaginal, atrofia vaginal (que pode causar desconforto na relação sexual) e até ardência e incontinência urinária.

Apesar de constantemente ser associada ao surgimento de depressão, provavelmente os quadros depressivos já vinham da época anterior à menopausa, ocorrendo somente uma piora com a ausência de hormônios. As pacientes de risco são aquelas que já tinham outros transtornos psicológicos e portadoras de tensão pré- menstrual (TPM).

Doença cardio-vascular

Durante os anos reprodutivos, as mulheres estão relativamente protegidas de doença cardio- vascular. Os motivos para isso são complexos, mas provavelmente os hormônios femininos contribuem, principalmente, elevando o nível do colesterol bom ( HDL). Este não deve, idealmente, ficar abaixo de 50 mg/dl.

É importante salientar uma forte associação entre a piora dos fatores de risco cardiovascular e aumento do peso. O ganho de peso na menopausa, entretanto, não é efeito das alterações hormonais, ele reflete dieta errada e falta de exercícios físicos.

Por último, junto à doença cardiovascular temos a osteoporose, cuja incidência tem aumentado devido à falta de atividade física, decréscimo da injestão de cálcio e o tabagismo. A falta de hormônio feminino (estrógeno) desencadeia e piora a perda óssea, talvez por influência no metabolismo do cálcio e da vitamina D, e também por influência direta no osso.

A consequência direta da osteporose são as fraturas de coluna, fêmur e perda dos dentes. E a consequência das fraturas e cirurgias para corrigi-las é a evidente perda de qualidade de vida, muitas vezes pela necessidade do uso de bengalas e andadores. Com tudo isso, advém depresssão em mulheres que outrora eram muito ativas.

Existe uma percepção científica crescente de que a reposição adequada do hormônio feminino (estrógeno) melhora os sintomas gerais da menopausa, proporciona proteção cardiovascular e diminui significativamente a incidência de osteoporose. E a consequência direta é a avanço da qualidade de vida.

Exames e prevenção

Dentre todos os exames e abordagens preventivas na menopausa, é digno de nota o conhecimento cada vez maior da importância da correção dos níveis de cálcio e sobretudo da Vitamina D na saúde do osso. Deve existir um controle rigoroso e uma reposição ativa deles quando o nível de ambos estiver baixo.

A reposição hormonal teve seu ínicio na tentativa de aliviar os sintomas específicos da menopausa. A partir dos anos 90, entretanto, o foco passou a ser a preocupação com os efeitos dos tratamentos a longo prazo. Não há dúvida que a osteoporose e os sintomas climatéricos podem ser prevenidos com terapia a longo prazo.

No entanto, a segurança do uso de longo prazo foi questionada na última década por pesquisas clínicas que indicavam que a terapia hormonal não protegia contra doença cardiovascular da maneira que se acreditava e pior, talvez o risco de câncer de mama fosse aumentado.

O debate quanto a essas questões tornou mais difícil a tomada de decisão. A solução óbvia é que cada paciente tenha o seu perfil metabólico minuciosamente estudado e que a necessidade ou não da reposição hormonal, o tempo do uso da medicação e o acompanhamento sejam feitos de maneira individualizada e por médico treinado na interpretação das pesquisas científicas.