Obstetrícia e Medicina Fetal

Diabetes Gestacional

O Diabetes gestacional é definido como qualquer nível de intolerância a carboidratos resultando em aumento da glicemia e com início ou diagnóstico durante a gestação. Sua incidência é estimada entre 3 a 7% das gestações, e dada sua alta ocorrência, a paciente deve solicitar ao seu médico o rastreamento dessa doença sempre, mesmo sem apresentar fatores de risco. Infelizmente, assim como a hipertensão na gestação, o diabetes gestacional ainda é negligenciado na maioria dos serviços de pré- natal. Seu diagnóstico e seu tratamento devem ser conduzidos de forma enérgica.

O principal hormônio relacionado com a resistência à insulina durante a gravidez é o hormônio lactogênio placentário, contudo, sabe-se hoje que há outros hormônios hiperglicemiantes como o cortisol, o estrógeno, a progesterona e a prolactina. Independentemente disto, a principal causa é ganho de peso acima daquilo que a gestante deveria. A máxima popular de que a gestante deve ganhar 12 Kg não é correta. O ganho de peso de determinada gestante deve se individualizado a partir de cálculos em que se leva em consideração idade, altura e peso ao engravidar. Algumas devem ganhar até mais que 12 Kg, mas a maioria deve ganhar bem menos disso.

Pacientes de alto risco

Pacientes com idade superior a 35 anos, pacientes obesas, portadoras de síndrome dos ovários policísticos, pacientes com história familiar de diabetes em parentes de primeiro grau, pacientes que apresentem feto com crescimento excessivo durante a gestação, pacientes que apresentam quadro de polidrâmnio (aumento do líquido amniótico), bem como de hipertensão ou pré-eclâmpsia na gestação atual são também consideradas pacientes de alto risco para o desenvolvimento de diabetes gestacional.

Rastreamento do diabetes gestacional

Quando o rastreamento for negativo no primeiro trimestre da gestação realiza-se o teste de tolerância com sobrecarga de 75 g de glicose (TTGO 75g) entre 24 a 28 semanas de gestação. Em gestantes com fator de risco ou que apresentem glicemia de jejum na primeira consulta de pré-natal acima de 90 mg/dl, esse teste pode ser realizado mais precocemente, em geral, a partir de 20 semanas.

Em pacientes com TTGO negativo e com forte suspeita de diabetes na gestação atual (crescimento fetal exagerado ou polidrâmnio) repete-se o teste com 32 semanas de gestação ou realiza-se dosagem da glicemia em jejum e 2 h após as refeições (acompanhamento domiciliar com aparelho de dextro).

Tratamento

O tratamento inicial consiste em dieta personalizada com auxílio de uma nutricionista. A atividade física deve fazer parte da estratégia de tratamento. Após duas semanas de dieta, permanecendo-se os níveis glicêmicos elevados, quais sejam, com coleta de dextro na ponta do dedo em jejum acima de 105 mg/dl e após refeições acima de 120 mg/dl, recomenda-se iniciar tratamento com insulina, administrada por injeção subcutânea na barriga ou na coxa, em doses e horários que serão individualizados para cada paciente.

O feto é quem mais sofre as consequências do diabetes mal controlado. Ele pode ter dificuldade em amadurecer o pulmão e por isso corre maior risco se nascer prematuro. Além disso, pode atingir peso maior que o habitual ( macrossomia fetal) e com isso, maior risco de hipoglicemia ao nascer.

As gestantes com ótimo controle metabólico em uso de dieta e que não apresentem complicações associadas como a hipertensão, por exemplo, podem aguardar a evolução espontânea para o parto. O diabetes gestacional, por si só, não implica em uma resolução por parto cesárea, sendo a via de parto uma decisão obstétrica. Em casos de diabetes mal controlado, na presença de complicações materno-fetais ou comprometimento do bem-estar fetal, a interrupção da gestação antes de 39 semanas pode se fazer necessária.